Avaliação da Semana – Andamos com o novíssimo Hyundai Creta Pulse Plus.

Caros amigos e internautas que nos acompanham diariamente, nesta semana avaliamos um dos SUVs compactos mais desejados do momento com sua motorização de entrada.

Quando os próprios sul-coreanos resolveram se estabelecer no Brasil, abrindo uma subsidiária própria, eles também souberam interpretar muito bem o mercado e conceberam um produto campeão como foi o caso do HB20 nacional. Com design acertado, conjunto mecânico robusto e eficiente e uma grande sacada que foi conferir 5 anos de garantia ao hatch, ele logo decolou em vendas e surpreendeu em um mercado até então onde Volkswagen Gol e Fiat Palio eram as referências.

Passado algum tempo, a Hyundai finalmente resolveu investir em mais um produto produzido em solo nacional e, como não poderia ser diferente, um SUV. Apresentado no fim de 2016, com as vendas engrenando mesmo em 2017, o Creta repetiu o feito do HB20 e também se firmou como um dos modelos mais desejados dentro de sua categoria. 

Concebido para mercados como o brasileiro e o indiano, onde os clientes valorizam bem mais atributos como um bom custo-benefício, amplo espaço interno e um porta-malas generoso, o Creta soube muito bem atender esse público.

Basta você entrar no Creta e nitidamente você tem aquela sensação de espaço interno bem próxima à de um SUV médio, como o próprio ix35 para citar um modelo da casa. Cinco adultos se acomodam muito bem no Creta, sendo que o porta-malas para 431 litros não deixa você na mão na hora de viajar com a família completa.

O que talvez não agrade muita gente são as respostas do motor 1.6 16V. Cabendo como uma luva no HB20, no Creta o propulsor parece pouco para impulsionar os 1.359 kg do SUV na versão Pulse Plus. Se no uso urbano até que ele convence, é na estrada, onde você precisa de mais agilidade em uma aceleração ou em uma retomada de velocidade, onde você nota que o Creta 1.6 sofre em alguns momentos. Durante a avaliação da Veloxtv, em que no máximo usamos o carro com duas pessoas e pouca bagagem, foi nítido como o motor 1.6 precisava de uma boa ajuda do câmbio automático de 6 marchas para buscar o melhor desempenho. Tudo isso nos fez pensar que, completamente carregado com 5 ocupantes e bagagem, a situação seria ainda mais crítica.

A grande questão é que você até poderia estar disposto (a) a aceitar esse comportamento morno do Creta 1.6 se ele fosse vantajoso no consumo, mas isso não ocorre na realidade. De acordo com os dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, quando abastecido com gasolina o Creta 1.6 não vai além de 10,1 km/l na cidade e 11,3 km/l na cidade. O irmão 2.0, por sua vez, alcança médias de 10 e 11,4 km/l, respectivamente. Ambos contam com start-stop de série, recurso que desliga o motor quando o carro encontra-se parado e ajuda a consumir menos sobretudo na cidade.

Desempenho à parte, o Creta mantém alguns traços que nos chamam a atenção positivamente em modelos sul-coreanos e japoneses: a busca do rodar mais sólido e silencioso possível. Nesse ponto o Creta explica em grande parte porque cativa tanta gente. Você não ouve ruídos mecânicos ou de acabamento, além disso a suspensão trabalha muito bem para proporcionar ao Creta estabilidade e conforto nas ruas. Ele não traz nenhuma surpresa no conjunto, com disposição McPherson na dianteira e eixo de torção para as rodas traseiras, mas a Hyundai fez um belo trabalho de calibração para nosso piso.

Tabelada em R$ 89.990, a versão Pulse Plus traz o que se espera de um SUV nessa faixa de preço. Estão ali os controles de tração e estabilidade, central multimídia com navegador e uma boa câmera de ré, direção elétrica, trio elétrico e o direito a requintes como ar-condicionado automático digital, rodas de liga leve aro 17” com acabamento diamantado, acendimento automático dos faróis, dentre outros. Falta o revestimento de couro para os bancos de série, uma ausência sentida em uma versão intermediária dentro da gama como é o caso.

Se atende bem no quesito equipamentos, só mesmo uma atualização no visual da cabine do Creta. Com uma qualidade de montagem inegável, só faltam os comandos e os plásticos escolhidos para o conjunto passarem por uma evolução de estilo. Algumas teclas no volante multifuncional, por exemplo, tem o aspecto de algo já datado.

No resumo da obra, se você está disposto a gastar cerca de R$ 90.000 em um Creta, vale mais a pena você arcar com a diferença e partir de uma vez para as versões com motorização 2.0 16V, no caso a Sport (R$ 96.350) ou a Prestige (R$ 102.580). Com o propulsor de maior deslocamento, o Creta tem respostas muito melhores consumindo para isso praticamente o mesmo que o 1.6 automático. Com a motorização 1.6 16V, o Creta se justifica como uma alternativa apenas em alguns cenários, como na versão Pulse manual tabelada em R$ 76.350.

Para o público PCD, que encontra como opção o Creta 1.6 Attitude, também vale a pena olhar para outros modelos dentro do segmento, como o Nissan Kicks S Direct. A Hyundai chegou a suspender a oferta do Creta 1.6 Attitude automático tamanha era a demanda do público PCD pelo modelo, porém com a retomada da produção a partir da linha 2018, a versão perdeu muito itens de série, o que tirou grande parte de sua competitividade. Não que o Kicks S Direct, também equipado com motorização 1.6 16V, seja muito superior em desempenho, mas seu consumo é muito melhor em relação ao Creta 1.6 automático e o nível de espaço interno e porta-malas está muito próximo entre os dois SUVs.


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