Mercado Europeu – Peugeot 5008 1.6 BlueHDI Allure.

Para que muitos dos que hoje têm á porta o SUV que está na moda, mas choram fechados em casa pelo seu antigo monovolume, que até tinha sete lugares!, não fiquem órfãos das suas necessidades, a Peugeot oferece a versão esticada e com mais dois lugares do 3008. Que, curiosamente, recebe o nome 5008, o mesmo do monovolume compacto que esteve na gama até há dois anos. Coincidências!

As tendências e as modas são terríveis! Depois de anos a destacar o espaço, a versatilidade, o conforto e mais uma mão cheia de virtudes associadas aos monovolumes, vem o Qashqai e troca tudo. Afinal, bom mesmo é ter um carro com aspeto de jipe, musculado, robusto e onde vamos sentados mais altos a dominar a paisagem e os condutores de carros “normais”. Porém, tal como sucede na moda, nem todo o trapinho fica bem em todos os corpos e se não raras vezes vemos uma saia curta num corpo que merecia estar escondido por uma saca de sarapilheira e umas belas pernas escondidas por uma saia não conforme, nos automóveis ter á porta de casa o carro da moda não quer dizer que tenha no bolso a chave errada.

Muitos dos que trocaram os monovolumes – que porcaria, carro de velho! – pelos SUV ou crossover são os mesmos que choram baba e ranho pelo carrinho grande, de sete lugares e mala enorme. Mais pela mala e pelo tamanho (que ainda parece ser documento…) do que pelos sete lugares (pois acredito que a maioria nunca os utilizou), pois agora no brilhante e arrojado SUV, não cabe nem metade da tralha do costume. Para esses, as marcas e em particular a Peugeot criou um crossover com sete lugares, derivado do 3008, que vem colmatar essa saudade (reprimida) dos monovolumes.

Podem dizer o que quiserem que o 5008 continuará a ser um dos mais interessantes e atraentes SUV de sete lugares do mercado, com forte influência monovolume o que deixará contentes aqueles que cederam à moda e desfizeram-se do seu querido MPV. O 5008 é um excelente produto tal como o 3008. Ponto!

Os preços não são meigos, mas a praticabilidade e versatilidade oferecidas perdoam isso e mais alguns detalhes menos conseguidos. Do anterior modelo ficou o nome e nada mais. Diz a Peugeot claro. Porque o 5008 deixou de ser monovolume para passar a alinhar no pelotão dos SUV mas, curiosamente, nunca terá uma versão de quatro rodas motrizes (fica-se pelo Grip Control) e o interior tresanda a monovolume.

Fazer parte do pelotão dos modelos compactos – com 4,60 metros, ser compacto é força de expressão… – pode ser uma bênção ou um pesadelo. É que estamos a falar de um segmento ultra competitivo que, para dificultar a vida, tem rivais fora dos SUV maiores e com ampla habitabilidade. Com um ou outro embaraço, mas também com pormenores brilhantes a Peugeot conseguiu alcançar um excelente compromisso entre as dimensões e o espaço interior.

O 5008 oferece um amplo, diria um enorme habitáculo que beneficia totalmente dos 16,5 centímetros a mais na distância entre eixos e, lá está, qual monovolume, oferece três filas de bancos. Cada fila tem bancos individuais com amplas regulações e na segunda fila cada banco tem a sua própria fixação Isofix. Os bancos, contudo, mostraram uma base demasiado plana e dura e são algo estreitos e finos. Sem o tejadilho panorâmico, o espaço em altura do banco ao tejadilho é aceitável, mas se gastar 1300 euros neste opcional a coisa complica-se e fica no limite do aceitável. Se comprar um GTLine ou um GT, não pode fazer nada que o tejadilho é de série.

Já a terceira fila de bancos é, inevitavelmente, pequena para que adultos possam fazer viagens neles, mas a verdade é que nos monovolumes, perdão, nos SUV estes bancos são para isso mesmo, crianças e curtos trajetos urbanos. São fáceis de rebater, “escondem-se” na parte inferior da bagageira e, quando rebatidos e retirados (algo fácil de fazer porque pesam apenas 11 quilos), libertam mais de 1060 litros de capacidade. Ficando dentro do carro, a capacidade da bagageira é de 952 litros. Pena que estes bancos não tenham fixações Isofix, o mesmo que acontece, de uma forma menos compreensiva, com o banco do passageiro dianteiro. Ou seja, se é o patriarca ou matriarca de uma família numerosa, levar a miudagem toda pode não ser tão evidente como parece numa primeira análise e, contas feitas, só três bancos têm fixações Isofix. Os outros terão de confiar no bom e velho cinto de segurança. Deviam fazer melhor!

É inevitável falar do i-Cockpit da Peugeot e que o 5008 decalca do 3008. Impressiona a qualidade do ecrã que faz de painel de instrumentos, as opções de personalização e o ambiente que nos envolve. A organização dos comandos – particularmente do pequeno teclado situado debaixo do ecrã colocado na consola central – e a qualidade dos mesmos e de todo o interior, destaca-se de maneira muito positiva. Depois é uma questão de habituação à posição de condução elevada como se quer num SUV, com o volante pequeno em cima dos joelhos.

O 5008 é um carro que se mostra confortável na maioria das situações, denotando menor compostura quando a estrada está mais degradada. Nessa altura, os movimentos verticais da carroçaria são menos controlados e se a estrada estiver mesmo estragada, ocasionalmente, ouve-se os amortecedores chegarem ao batente, ou seja, ao limite do curso. Fora isso, o 5008 tem um comportamento preciso e bem controlado como sucede com o 3008. A direção colabora pouco, pois tem pouca sensibilidade e o peso não é o mais correto, mas a verdade é que conseguiram um bom compromisso.

O 5008 que me tem o bloco 1.6 BlueHDI com 120 CV. O peso extra faz questão de se fazer notar e para uma maior desenvoltura, o botão “Sport” é quase uma inevitabilidade, pois adiciona um barulho diferente do habitual para “esconder” o ruido do motor diesel e deixa o pedal de acelerador mais sensível e rápido na resposta. A caixa manual vai bem com o motor e numa utilização tranquila (leia-se sem pressas!) é muito agradável. Porém, fica o aviso: se no 3008 este bloco ajusta-se bem, no 5008 optaria pelo bloco 2.0 litros. São apenas 20 CV de diferença, mas… fazem toda a diferença pelos 70 Nm de binário a mais.

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo diesel

Cilindrada (cm3) – 1560

Diâmetro x curso (mm) – 75 x 88

Taxa de compressão – nd

Potência máxima (cv/rpm) – 130/53500

Binário máximo (Nm/rpm) – 300/1750

Transmissão e direção –  Tração dianteira, caixa manual de 6 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr) – Tipo McPherson/eixo de torção

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 12,2

Velocidade máxima (km/h) – nd

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 3,9/4,5/4,2

Emissões de CO2 (g/km) – 108

Dimensões e pesos 

Comp./largura/altura (mm) – 4641/1844/1645

Distância entre eixos (mm) – 2840

Largura (fr/tr) (mm) – 1593/1601

Freios (fr/tr) – Discos ventilados/discos

Peso (kg) – 1365

Capacidade do porta malas (l) – 527/952/2150

Tanques de combustível (l) – 56

Pneus – 225/55 R18

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