Fórmula 1 – A importância dos simuladores.

O anúncio de Brendon Hartley para o lugar de piloto de simulador da Ferrari foi uma notícias do dia (é verdade que as grandes novidades estão prestes a chegar e agora que o frio do inverno afeta as novidades na F1).

Se o papel de piloto de simulador era até há pouco tempo praticamente ignorado do público geral, a sua importância para as equipes tem crescido cada vez mais. A simulação passou a ser muito mais do que um jogo e é agora uma ferramenta fundamental para o sucesso das equipes.

Na atualidade, as equipes têm um período muito curto para testes. Já longe vai o tempo em que as equipes podiam testar como e quando quisessem e, numa tentativa de limitar os custos da competição, os testes ficaram limitados… muito limitados. Foi necessário encontrar uma solução para compensar essa lacuna e a simulação começou a ser a opção escolhida. Com a evolução das ferramentas de simulação e com programas cada vez mais completos e capazes de reproduzir a realidade, as equipes investiram em simuladores capazes de fornecer as respostas procuradas.

Os engenheiros nos simuladores trabalham em conjunto com os engenheiros em pista para tentar encontrar a afinação ideal. Não são raras as vezes que as equipes se apresentam longe da competitividade ideal na sexta-feira, para logo no sábado estarem muito mais competitivos. Isso se deve ao trabalho árduo dos engenheiros e pilotos nos simuladores nas sedes das equipes.

Um piloto de simuladores tem de aguentar longas horas, numa sala escura, com o controle de uma equipe de engenheiros, por vezes noite dentro, para encontrar a solução para o problema que surgiu. O piloto tem de ser regular e consistente, e mais que isso tem de ser capaz de dar o feedback do que sentiu. A análise dos engenheiros, o feedback do piloto e o tempo por volta há de refletir se as mudanças foram benéficas ou não. Mesmo quando não há provas, os pilotos de simuladores terão de trabalhar para testar novas soluções que ainda nem sequer foram colocadas nos carros. A qualidade do trabalho depende da correlação dos dados teóricos colocados no simulador e a forma como isso se traduz em pista. Quanto mais correto for o modelo de simulação usado, melhores resultados surgirão.

Além disso, os simuladores permitem que os pilotos se adaptem à nova realidade. As várias trocas de equipes que vimos para a temporada 2019, terão certamente nos simuladores um apoio forte pois é a forma mais barata dos pilotos se adaptarem aos carros, aos novos volantes que inevitavelmente variam de equipe para equipe.

Assim, quanto melhor for o piloto, melhores serão as soluções encontradas. Não é por acaso que a Ferrari vai apostar em quatro pilotos para esta tarefa. No ano passado o feedback de Daniil Kvyat e Antonio Giovinazzi foi fundamental (Vettel elogiou o trabalho e recomendou a contratação de mais pilotos para esse papel) e com ambos estão de volta às pistas, não admira que a Ferrari tenha ido buscar Brendon Hartley, Pascal Wehrlein, Antonio Fuoco e Davide Rigon.

Também não é de estranhar que a Mercedes tenha aproveitado o conhecimento e capacidade de Stoffel Vandoorne. Já antes a Mercedes usou os simuladores para tentar evoluir e Robert Kubica foi um dos pilotos em 2013, numa altura que se equacionava um retorno. O seu feedback foi muito importante para os flechas de prata.

É também por isso que as esperanças do programas de jovens pilotos das equipes passam pelos simuladores. É a melhor forma de os preparar para o futuro, e ao mesmo tempo ter dados de pilotos no ativo, com talento e com capacidade.

Não será de estranhar que os melhores pilotos virtuais, que pertencem às equipes de e-sports, passem a ter uma porta cada vez mais aberta. Um bom piloto de e-sports pode também ter as capacidades necessárias para dar as informações necessárias, embora nada substitua para já a experiência a em pista, fundamental para poder exprimir da melhor forma as mudanças.

Os simuladores são ferramentas importantíssimas e embora nem sempre apareçam nas fotos dos festejos, os pilotos de simuladores podem ter um papel crucial no sucesso de uma equipa.

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