Entrevista da Semana – Um bate papo descontraído com Rodrigo Konig.

Caros amigos, boa tarde.

Essa semana entrevistamos “Rodrigo Konig” navegador experiente que nos conta sobre sua trajetória no Rally nacional, suas realizações e conquistas internacionais, ambições e projetos para a Temporada 2014.

 

Veloxtv:  Rodrigo, boa tarde, como estão os preparativos para a temporada 2014 da XRC Rally?

Rodrigo Konig: Já testamos o carro em dezembro do ano passado, mas nesta terça-feira, faremos em Curitiba o último treino técnico, para que tudo esteja o mais dentro possível do planejamento, na próxima sexta-feira, quando terá início o Campeonato Brasileiro de Velocidade com o Rally de Pomerode.

Veloxtv: Levando em conta sua vasta experiência internacional, como você avalia essas competições nacionais?

RK: Todo esporte tem que existir regionalmente, para que seja um modelo de sucesso. No futebol, temos as escolinhas, que dão base para os garotos, para que se tornem profissionais. No rally, como não existem as escolas, a base acaba sendo realizada nos campeonatos regionais. Deles, surgem os novos pilotos e navegadores, que dão o próximo passo no Rally Brasileiro e posteriormente nas provas internacionais. Esse é o caminho para a profissionalização no rally.

Veloxtv: Rodrigo gostaria que nos contasse um pouco da sua história e de seu companheiro de equipe no Rally.

RK: Eu e o Dimas começamos a parceria em 2011, quando naveguei para ele e para o pai, na última etapa da Copa Peugeot daquele ano. Eles são pilotos de pista também, e foram naquela ocasião testar um carro de rally. Após este primeiro contato, que foi muito produtivo, recebi o convite do Dimas Pimenta III para navegar na mesma copa, no ano seguinte. Fizemos um bom campeonato na estreia, conquistando alguns pódiuns e terminando o ano como a 4ª melhor dupla. 

 

No ano seguinte, 2013, a Copa Peugeot deixou de existir e então partimos para o Regional de SP e para o Brasileiro. O início de ano foi fantástico, ganhando 4 provas de 5. Essa vantagem no primeiro semestre, foi suficiente para nos dar tranquilidade e fechar o ano como Campeões Paulista e Brasileiro de Rally, logo no ano de estreia em ambos.

Veloxtv: Vocês pretendem fazer algumas provas do WRC?

RK: Este ano eu estou com um projeto internacional com outro piloto, para as provas do WRC, mas o ponto principal nesse caso, que é a busca de patrocínio, está complicada. Em ano de Copa do Mundo, ainda mais no Brasil, os patrocinadores preferem guardar recursos para o futebol, e na medida que as provas estão acontecendo, nossas chances de competição internacional reduzem. Provavelmente eu direcione as forças para o Dakar, caso não feche os patrocínios para o WRC até abril.

Veloxtv: Ano passado vocês competiram com um carro 4×2 e este ano estão partindo para o 4×4, explique para nossos internautas a diferença entre ambos.

RK: Bom, fora a tração, que agora exerce força nas 4 rodas, o que nos ajuda, e muito na saída de curva, o motor tem uma cavalagem muito superior. Enquanto nosso 4×2, com 130hp chegava a uma velocidade máxima de 170 km/h, o novo modelo pode atingir 210 km/h com 350hp. É uma mudança radical na pilotagem e na navegação, já que os obstáculos chegam muito mais rápido. 

 

Veloxtv: Todos nós sabemos que os custos para se competir no Brasil são altíssimos, no rally como são divididos esses custos?

RK: No rally, grande parte dos competidores é empresário, e buscam recursos particulares para competir. Outros, como é o meu caso, baseado numa carreira de sucesso, conseguem atingir patrocinadores, que visam um retorno de mídia, pago e espontâneo, aumentando a credibilidade e força de sua marca, num esporte automotor. Os maiores custos são no desenvolvimento e manutenção do carro. Os outros gastos, são os mesmos dos outros esportes, como acomodação, alimentação e deslocamento. 

 

Veloxtv: As empresas brasileiras divulgando em competições de rally, qual o retorno de mídia que vocês oferecem aos seus parceiros?

RK: Normalmente são os espaços publicitários no carro, macacões, uniformes e box. Mas desde o início da minha carreira, procuro outras formas de divulgar os parceiros, como em palestras, mídias sociais, eventos e até mesmo em ações de relacionamento, onde apresento meus patrocinadores a outros parceiros de negócios, gerando não só um retorno em mídia, mas também, muitas vezes financeiros. Outro fator que sempre me ajudou, foi a proximidade com a grande mídia, gerando materiais televisivos ou impressos, de alta qualidade e credibilidade. Hoje mesmo, estou fechando com um canal de TV, para a realização de um programa sobre rally, mas isso deixamos para a próxima, ainda não assinamos os papéis (risos).

Veloxtv: Rodrigo, sabemos que o formato do XRC veio para ficar, qual o nível de competitividade dentre todos os pilotos participantes; é claro dividindo-os de categoria.

RK: O Campeonato Brasileiro foi um grande sucesso em 2013. O fato de termos uma TV aberta cobrindo a competição e o baixo custo realizado, para que o maior número de competidores pudessem participar, gerou um número grande de adeptos. E nesse caso, quanto mais competidores, maior o nível de disputa. Na nossa categoria por exemplo, até o quarto colocado tinha chance de se tornar campeão, na última etapa do ano. Acredito eu, que este ano as disputas serão ainda mais acirradas, pois os competidores já conhecem os seus adversários e os carros concorrentes. Vai se dar bem quem conseguir ser regular e evoluir seu equipamento constantemente.

Veloxtv: Precisamos apresentar ao mercado formas e caminhos para o patrocínio do esporte a motor Brasileiro, como você vê esse fluxo de verba em sua categoria?

RK: O Rally é um dos esportes automotor mais em conta para o investimento. Para se ter uma ideia, com pouco mais de 400 mil reais, é possível fazer uma temporada no Rally, com chances de título, na principal categoria (4×4). Esses valores quando saem para a pista, como o caso da Stock Car, são elevados para mais de 10 milhões. Se o investidor, de médio e grande porte, entender que sua marca deve ser associada a velocidade, técnica, competitividade, e outros adjetivos do automobilismo, o rally é um caminho de excelente custo x benefício.

Veloxtv: Você é conhecido muito conhecido nacionalmente, vindo de berço automotivo, qual o peso da família em sua carreira?

RK: Eu venho de uma família humilde, mas que me educou sempre para que pudesse ter sucesso em meus objetivos. Na família, sou o primeiro a competir profissionalmente no automobilismo, e motivado por meu pai, que era um fã incondicional de nossos pilotos na formula 1, principalmente o Senna. Assistimos juntos a morte dele, e logo depois, dei meus primeiros passos nos rallys de regularidade. Ser o primeiro a competir em alto nivel em um esporte foi complicado, pois faltava o Know How e também contatos. Mais soube trilhar um caminho positivo e que me fez criar bons amigos no meio. A continuidade deve ser minha filha, Lívia, de 3 anos, que já se interessa por carros e corridas. O maior problema será convencer a mãe (risos).

Veloxtv: Depois dos diversos acidentes ocorridos com o ex-piloto de Fórmula 1 “Robert Kubica” você acha que ele tá arriscando com a própria vida?

RK: Existe um universo de fatores que diferem um piloto de pista para um de rally. O fato de ter que dividir as responsabilidade com outro parceiro dentro do carro, no caso do navegador, as reações nas freadas, os diversos tipos de piso, tudo isso é diferente, e o piloto precisa entender e respeitar essas diferenças para que a mudança torne-se segura. Eu não vejo como risco, pois o Kubica é um grande piloto. Eu acredito que os acidentes vieram pela falta de tempo de competição, pela insistência em andar rápido logo de cara. É um contra censo dizer que um piloto de F1 precisa tirar o pé no rally, mas ele precisa. Precisa ser mais lento para entender todo esse novo universo, e só depois que já estiver habituado, passar a andar com mais velocidade.

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