Auto Union Type 52: Um supercarro moderno…..só que em 1934; criação da Audi.

Uma boa parte dos entusiastas concorda que o primeiro superesportivo moderno do mundo foi o Lamborghini Miura que, em 1966, estabeleceu de uma vez por todas o conceito de motor central-traseiro em V e formato de cunha para os supercarros. Nem todo mundo sabe, porém, que a Audi quase adiantou esta tendência em três décadas. Mais precisamente, em 1934, com o Auto Union Type 52 — um supercarro com motor V16 que pode ter sido a primeira inspiração para o Bugatti Veyron!

Mas além de nos mostrar como uma das maiores obras da engenharia moderna (goste dele ou não, é isto o que o Bugatti Veyron é), esta história nos mostra novamente que a Audi e a Porsche têm uma ligação muito mais antiga do que alguns de vocês talvez imaginem. Se a relação entre a Volkswagen e a Porsche remonta praticamente a quando as duas companhias foram fundadas, o mesmo não pode ser dito da Audi, que foi comprada pela VW em 1965.

Como vimos, quem comprou o projeto foi a recém formada Auto Union, resultado da fusão entre quatro marcas menores (Audi, DKW, Horch e Wanderer). Mas o Type C, com seu V12 supercharged  de 527 cv, não foi o primeiro carro projetado por Porsche e seus colegas Adolf Rosenberger e Karl Rabe: antes dele veio o Auto Union Type A, de 1934.

 

Em vez do V12 de seis litros, o Type A tinha um V16 de 4,4 litros. Com a ajuda do compressor, o motor entregava 295 cv a 4.500 rpm — o que já era impressionante — e era capaz de levar o carro aos 280 km/h de acordo com testes realizados em Nürburgring e AVUS. Ele precisou se transformar em Type B e depois em Type C para conquistar sucesso nas pistas, mas seu legado para o mundo também é extremamente importante, porque ele serviu — ou iria servir — de base para o Type 52.

Enquanto trabalhava no desenvolvimento daquele que seria conhecido como Beetle, Käfer ou Fusca (ou qualquer outro dos vários nomes que o carro do povo teve pelo mundo), Ferdinand Porsche imaginou uma versão de rua do Type A.

O Professor já tinha tudo planejado: um carro baixo, com motor central-traseiro, capaz de levar pelo menos três pessoas e dotado de uma versão mais mansa do V12 de corrida — em vez de 295 cv, ele teria 200 cv a 3.650 rpm e seria capaz de levar o Type 52, cujo peso previsto era de nada esbeltos 1.750 kg, aos 100 km/h em 8,5 segundos com máxima de 200 km/h — um desempenho bem acima do que qualquer carro da época seria capaz de entregar. Chame-o de supercarro, se quiser.

Não se sabe muito a respeito do projeto além do que é possível ver nestas ilustrações — o raio-x acima, publicado por uma revista na década de 80, e estes sketches assinados por Komenda. Tudo indica que Porsche planejava uma versão de três lugares, com o motorista no meio, e outra com entre-eixos maior e uma segunda fileira de bancos.

O caso é que o projeto foi abortado ainda naquele ano por razões desconhecidas — talvez por ser ambicioso demais, ou porque Ferdinand Porsche estivesse ocupado demais com o Volkswagen, cujo desenvolvimento estava a todo vapor: em 1934, ele ganhava seus primeiros protótipos.

 

É difícil imaginar a força do impacto que um carro de rua aerodinâmico, futurista e equipado com motor de carro de corrida teria na indústria automotiva da década de 30, ou o tamanho da mudança nos padrões de desempenho da época. O que se sabe é que o Type 52 acabou influenciando outro conceito da Audi, apresentado em 2000 no Autostadt, nas adjacências da sede da Volkswagen em Wolfsburg.

 

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