Vídeo – “Afinal, o que há de tão interessante em ver um monte de carros correndo em círculos?”

“Afinal, o que há de tão interessante em ver um monte de carros correndo em círculos?”

Depara-se, por milésimos de segundo, com uma série de motivações subjetivas constrangedoras demais, ou demasiadamente inconscientes para virem à tona. “Ah, você não seria capaz de entender”; e os olhos se voltam para a tv, que mostra carros virando para lá e para cá, para lá e para cá…

De fato, o automobilismo não se resume a carros correndo em círculos. Há um fator humano, uma presença do imponderável que agregam sentido ao esporte a motor. Além disso, é um fenômeno cultural pouco notado, mas amplamente difundido.

Pessoalmente, não consigo responder às questões éticas que propus acima, e tampouco à minha mãe, à minha namorada e à minha irmã. O que sei é que o flerte de nossa cultura com a velocidade é algo muito recente. Começou no fim do século XIX, no apogeu da modernidade e intimamente ligado à Belle Époque. Era a vitória da industrialização na Europa, a luz elétrica fez as pessoas se relacionarem com a noite de uma forma radical e nova; e o mesmo acontecia com os carros e os trens. Ir de um lugar a outro muito rápido era uma experiência nova, bem como sentir a aceleração e o ‘friozinho na barriga’.

Assim como as Olimpíadas modernas, o desejo de competição no automobilismo veio diretamente de outro conceito novo na época: o nacionalismo. As nações fomentavam a construção de uma identidade em torno de si, e o esporte era uma ferramenta muito eficiente para isso. O nacionalismo servia para muitas outras funções também, como, por exemplo, fazer os cidadãos de um país matarem e serem mortos pelo de outros…

Duas guerras e 30 milhões de cadáveres depois, a modernidade perdeu um pouco de seu charme. A tecnologia industrial possibilitara ao homem transformar sua experiência tátil com o mundo, mas na mesma medida também foi possível matar seres humanos em grande escala, de forma metódica e com alta eficiência.

Ainda assim, o automobilismo sobreviveu. Não é possível dizer que tenha saído ileso. Na verdade, o início da Fórmula 1 foi tão tímido e atrapalhado que não foram poucos os que afirmaram que o Campeonato Mundial de Pilotos de fórmula estava condenado ao fracasso.

O automobilismo mata, o automobilismo contribui para o aquecimento global. Mas ele também fascina, e está presente em nossa sociedade até hoje. Gostar de corridas é uma deliciosa transgressão.

Fonte: Trecho de um texto de Daniel Médici postado originalmente no http://cadernosdoautomobilismo.blogspot.com.br/ em 2007

Assista agora este vídeo que está em nosso canal do Youtube e finalmente tenham a resposta desta questão amigos!

https://www.youtube.com/watch?v=ofennpQbhlo

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