Muitos concordam, outros não, mas o fato é que os construtores envolvidos no WEC estão se interessando mais pela categoria GTE. E é importante perceber porque isso acontece. O diretor da BMW Motorsport aponta uma razão. Para Jens Marquardt tem muito a ver com a incerteza que paira sobre o futuro dos LMP1 no Campeonato Mundial de Endurance.

Anteriormente a categoria ‘rainha’ foi pensada como o pináculo tecnológico que os construtores utilizavam como laboratório, nomeadamente com o advento dos sistemas híbridos e como alternativa à Fórmula 1. Mas neste momento a anunciada saída da Porsche indica claramente que isso deixou de ser o caso. Há cada vez mais construtores na GTE Pro, classe mais identificada com os modelos que as marcas produzem e cujo sistema BoP parece resultar numa competição mais equilibrada e imprevisível.

Enquanto Mercedes e Porsche optam por se mudar de ‘malas e bagagens’ para a Fórmula E, outros construtores reforçam a sua aposta na classe GTE, como tem sido o caso da Ford, da Ferrari, da Aston Martin e agora da BMW. Marquardt admite que a saída da Porsche não é positiva para o campeonato em particular, e para o automobilismo em geral, “mas ao mesmo tempo isto tem de ser visto como uma oportunidade. Ao mesmo tempo que a Porsche sai de LMP1, reforça a sua presença nos GTE”.

“Nós entramos e estamos contentes por lutar com os ‘tipos’ de Weissach. Penso que o WEC tem a sua força numa categoria que é atraente. Há muitos construtores com carros GT e isso é uma das razões que os atrai para os GTE, que penso ser no futuro uma categoria com muito mais visibilidade do que a que tem atualmente”, considera Marquardt. O responsável desportivo da BMW sublinha que os passos no sentido da notoriedade da categoria já foram dados estes ano ao criar-se um campeonato do mundo, tanto para pilotos como para construtores. “Se olharmos para Le Mans este ano, a corrida principal, para sermos honestos, foi a dos GTE Pro”, enfatiza.

A BMW vai disputar o próximo Campeonato do Mundo de Endurance com o novíssimo M8 GTE – que foi revelado com grande secretismo nas 24 Horas de Spa-Francorchamps, sendo proibidas fotos ao carro, até de telemóvel – e Jens Marquardt não tem dúvidas de que outras marcas se podem vir a interessar por seguir o exemplo e vir para a categoria GTE no WEC. “Vais ser um bom momento para todos os construtores envolvidos em corridas de GT”, assinala.