FIA WEC – A encruzilhada do Mundial de Endurance.

Enquanto o novo regulamento do WEC não sai, tendo sido novamente adiada qualquer conclusão, uma vez que a dificuldade em encontrar consensos numa série que reúna inovação tecnológica com custos controlados é grande, ficam apenas os rumores que vão surgindo, sendo o mais recente a tentativa de reavivar os antigos GTP.

Os GTP (lançados em 81) foram uma classe de grande sucesso no IMSA, que tinha grandes semelhanças com os Grupo C. Enquanto o Grupo C focou apenas o consumo de combustível e a eficiência, os GTP usaram um conceito de equilíbrio de performance das várias máquinas. O Grupo C é ainda hoje recordado como uma das grandes fórmulas da história do automobilismo.

Os anos 80 foram concentraram o melhor do automobilismo e os fãs apaixonaram-se ainda mais pela competição nessa fase. O mundo estava se recuperando de uma crise que viu o preço dos combustíveis subir em flecha e os fabricantes de automóveis encararam com otimismo a competição colocando projetos sólidos e bem financiados.

Além de uma F1 em claro crescimento tecnológico e mediático, tínhamos os Grupo A, os Grupo B que fizeram as delicias dos fãs do rally e o Grupo C que dominou as pistas chegando inclusive a ter uma popularidade semelhante à F1. Era uma época onde a velocidade aumento exponencialmente e os pilotos se tornaram verdadeiros heróis, domando máquinas ferozes, de uma potência imensa.

 

Em 1982 foi criado o Grupo C que permitia uma grande variedade de soluções uma vez que a única restrição era o combustível, limitando a capacidade do depósito (100kg) e o número de paradas para reabastecimento (5 paradas) nas corridas de 1000Km. A partir daí tudo era possível, com o uso de motores turbinados ou aspirados. A variedade de soluções começou a surgir e o interesse pela competição aumentou. Surgiram carros com linhas fluidas para diminuir o arrasto e com o aproveitamento do “efeito solo” que começava a ganhar cada vez mais preponderância. As velocidades começaram ma subir até que em 1988 foram registados 405km/h em Le Mans.

As marcas começaram a se juntar e podíamos ver grid repletos de carros com igual possibilidade de vencer a corrida. O sucesso foi cada vez maior e Le Mans viveu uma temporada de popularidade tremenda. O tiro no pé foi dado em 1991, quando os regulamentos baniram os turbos e passaram a permitir apenas motores 3.5L de qualquer configuração como existiam na F1.

A solução passou a ser um problema e os motores fizeram disparar os custos da categoria, levando a saída de cada vez mais competidores. Os grids começaram a ficar vazios e as grandes marcas começaram a entender que para o custo que tinham, mais valia ir para a F1 que tinha mais exposição. Caiu-se no mesmo erro que se fez nos anos 70, em que se baniram os motores 5L para os 3L (que se usavam na F1) para diminuir as velocidades e assim o risco. Os custos aumentaram e Le Mans passou por uma fase de reduzido interesse.

 

Diz-se que foram Ecclestone, Mosley e Ballestre que estiveram por de trás da mudança de regulamentos que acabou com uma das fases mais interessantes do endurance e que voltou a dar o destaque total à F1. O Grupo C acabou em 1994, mas deixou grandes recordações, e grandes máquinas que ainda hoje fazem as delicias dos fãs. O grande fascínio daquela época, para além da competição era a grande variedade de soluções. Vimos motores de todos os tamanhos e feitios. V8, V12 ou o rotativo da Mazda. Soluções e perspetivas diferentes que deram resultados ainda hoje recordados com saudade. Fazer reviver esta época será uma tarefa difícil.

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